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11 de setembro

Com atraso de 4 dias (o que significa isto, diante da eternidade?), o poema inspirado na fotografia que inspirou o documentário "The falling man".




































Eles pularam dos andares em chamas –
um, dois, mais alguns,
acima, abaixo.

A fotografia deteve-os na vida,
e agora os mantém
sobre a terra rumo à terra.

Cada qual permanece inteiro,
com um rosto próprio
e sangue bem guardado.

Há tempo o bastante
para cabelos voarem soltos,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.

Eles permanecem sob o toque do ar,
ao alcance dos lugares
que acabaram de se abrir.

Eu só posso fazer duas coisas por eles –
descrever este voo
e não acrescentar a última frase.


Fotografia do 11 de setembro, poema de Wislawa Szymborska

Fotografia de Richard Drew (Associated Press)


Sobre a poeta: http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet265.htm

Sobre a fotografia e o documentário: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Falling_Man

Loucura é Arte?



Rodrigo de Souza Leão (autor de Todos os cachorros são azuis)
era esquizofrênico e um escritor genial.

Uma coisa não tinha nada a ver com a outra, como explicou em uma entrevista.
Van Gogh cortou sua orelha, Bispo do Rosário não atinava razão,
Kafka mandou queimar sua obra, o albino Hermeto não bate mesmo muito bem.
Nem todo louco é artista, mas todo artista é um pouco?

Como recomenda o escritor, o segredo é ser
Apolíneo na forma?
Dionisíaco no conteúdo?
(se forma = conteúdo, apolíneo = dionisíaco, prosa = poesia?)

O site linkado acima está arrecadando fundos para uma bela mostra
de Rodrigo de Souza Leão no MAM (ele também pintava muito bem).

Divulguem!

Outros links:

* Rodrigo de Souza Leão (site oficial)
* Entrevista (louco x maluco x doido)

Autofoto de mim mesmo-me

As turmas de Design e de Foto encaram o desafio de responder à pergunta: "Quem sou eu?".

Não é fácil. Seja num autorretrato fotográfico ou numa camiseta que expressa suas escolhas estéticas... O que dizer? Como dizer?

Este macaco aí do lado não teve dilema nenhum: roubou a câmera e clicou sua cara expressiva, num belo resultado.

Infelizmente, temos algo que falta a este nosso primo primata: (auto)consciência.

Felizmente, temos algo que falta a este nosso primo primata: percepção artística.

Quem se candidata a completar a frase nos comentários abaixo?

Eu sou...

Looping

Come into my world, videoclipe dirigido por Michel Gondry.

E por falar em looping, algumas frases dos alunos de vídeo, no clima "o fim é o princípio":

- Gentileza gera gentileza (Jonathan)

- O infinito dos seus olhos me faz encontrar o infinito dos seus olhos me faz encontrar o infinito... (Laís Félix)

- O tempo tem todo tempo. (Laiane)

- Revistas são feitas para serem vistas e revistas. (Patrícia Simas)

- Volta é uma palavra que volta. (Felipe Cardoso)

- O significado da vida é dar vida a um significado. (Evelyn)

- O começo pode estar no recomeço. (Rayssa)

- Ser sempre ser. (?)

Jabusco à jumela com thururú e tricos trifritos

Ingredientes:

500g de jabusco italiano
340ml de molho de shitarurú orgânico
1 jumela
300 tricos pretos
10 thururús pequenos
4 pacacos (ou canêcos da sai)
1 sabugo de chimininrai verde
1 folha grande de craxý
4 crecas de truba (ou de tulots)
1 peitindága listeu grande


Modo de preparar:

Numa frigideira grande o bastante para que caibam todos os ingredientes (mas não grande a ponto de despencar pela lateral do fogão), bote óleo pra ferver e faça um refogado juntando o peitindága listeu bem picadinho e as crecas de truba amassadas (também servem crecas de tulots moídas). Corte os pacacos em fatias finas (se conseguir achar, prefira os raros canêcos da sai), rale o chimininrai verde e junte os thururús cortados em cubos. Acrescente todos esses ingredientes ao refogado, com o cuidado de não deixar a água dos thururús secar completamente, nem empapar os fiapos naturalmente soltos pelo chimininrai. Quando os peitindágas estiverem bem dourados, use a folha de craxý para abafar o vapor, tapando completamente a mistura. Enquanto isso, corte a jumela em fatias de diferentes formatos e tamanhos, pincelando nelas o suco expelido pelos thururús quando foram cortados. Frite-as no refogado e acrescente o molho de shitarurú orgânico da serra da Cantareira, de preferência colhido numa noite do mês de maio com lua cheia. Traga frigideira tradicional refratária ao frio para fritar, refritar e trifritar os trezentos tricos pretos. Deixe-os dourarem durante o tempo em que você repete a frase anterior em voz alta quinze vezes seguidas. Por fim, providencie 500ml de água em ebulição para nela submergir o jabusco italiano, durante tempo suficiente para que derretam ao primeiro contato com as rodelas de jumela e o cubos de thururús, mas antes faça stabraque para que fiquem com o tamanho ideal. Jabusco no ponto, junte o molho e pronto.

Serve 6 pessoas.


Sobremesa: Salada de frutas ao tsssz

É simples: corte um timarandá em rodelas, fatie um mian mian (mas retire a casca e a coroa!), faça cubos de rhá-há bem maduro, pique um julot e esmague dezessete chambarùs e meio (a outra metade, pode comer enquanto prepara). Dê um jeito de descobrir como se corta uma fróia, e acrescente também. Por fim, acrescente um copo de suco de maracmoi e inúmeros fiapos de tsssz. Se não encontrar tsssz no mercado nem na feira, pode ser que a Associação dos Amigos dos Língua-Presa tenha enfim conseguido proibir sua produção e comercialização devido ao fato de que, entre eles, a simples pronúncia desse nome invariavelmente ocasiona cuspes e perdigotos por parte de cozinheiros, feirantes e consumidores associados, o que gera situações constrangedoras. Neste caso, pode substituir o tsssz por uma mitinda sagnin importada. Embora seja menos saborosa, sua menção no cardápio sem dúvida valoriza o prato.

Serve 2 pessoas.
(não se preocupe: as outras quatro não vão aguentar comer sobremesa depois do jabusco)